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Campeonato do Mundo Amador cancelado

Uma decisão da Federação Internacional de Golfe

A Federação Internacional de Golfe (IGF) cancelou o Campeonato do Mundo Amador por Equipas que estava marcado para outubro, em Singapura e os jogadores portugueses que mais hipóteses tinham de serem seleciconados sentiram-se, naturalmente, tristes, até porque, quase todos estavam em boa forma desde o início da época passada e tinham objetivos elevados.

Esta decisão sem precedentes deveu-se à globalidade da pandemia da COVID-19 e a incerteza que ela provocou sobre uma organização bem-sucedida do Mundial de 2020. Mais importante do que tudo, esta decisão foi tomada para salvaguardar a saúde e a segurança de todos os atletas, membros da organização e voluntários, pois não tínhamos a certeza de poder mitigar o risco a um nível aceitável“, disse Antony Scanlon, o diretor-executivo da IGF.

Em fevereiro, a IGF já tinha tomado a decisão de transferir o Mundial de Hong Kong para Singapura, devido aos distúrbios sociais e políticos que se viviam na altura naquele território chinês. Estava previsto para os campos do Tanah Merah Country Club e do Sentosa Golf Club, com o Espírito Santo Trophy (o Mundial feminino) de 14 a 17 de outubro e o Eisenhower Trophy (o Mundial masculino) de 21 a 24.

Antony Scanlon adiantou que a IGF pensou ainda em “adiar o Mundial para 2021“, mas isso iria criar «problemas logísticos e de calendarização consideráveis e insuperáveis», para além de admitir que “não há a certeza de poder-se realizar o torneio no próximo ano sem qualquer risco“. Nesse contexto, a IGF preferiu “olhar para a frente e levar a cabo uma edição maravilhosa em 2002 em França“.

O cancelamento do Mundial não surpreendeu alguns atletas, mas não a Federação Portuguesa de Golfe (FPG).

Portugal tinha previsto participar em ambos os Mundiais e tínhamos uma época desenhada a pensar nessa competição, mas a verdade é que muitos torneios europeus já foram, entretanto, cancelados. Todos os Campeonatos da Europa (de vários escalões etários) foram adiados, só a primeira divisão irá desenrolar-se e em formatos reduzidos“, disse o diretor-técnico nacional, João Coutinho, à Tee times Golf, em exclusivo para Record.

João Coutinho avisou que, este ano, “a grande maioria das seleções nacionais não irá sair dos seus países, até porque para os jovens viajarem necessitarão de autorização dos pais ou encarregados de educação e nesta conjuntura é mais complicado. Os calendários internacionais tendem a ser nulos em 2020“.

Portugal dispunha este ano, em teoria, de duas equipas com valor para tentar igualar ou superar os recordes nacionais alcançados em 2002, 2004 e 2010.

No Espírito Santo Trophy, na Malásia, em 2002, e em Porto Rico, em 2004, Portugal foi 31.º classificado, em ambos os casos com as jogadoras Carla Cruz, Carolina Catanho e Lara Vieira.

No Eisenhower Trophy, Portugal obteve um honroso 13º lugar em 2010, na Argentina, numa edição em que Pedro Figueiredo foi 9º classificado individualmente. Os outros jogadores foram José Maria Joia e Manuel Violas.

Tendo em conta os resultados alcançados em 2019 e nos primeiros meses de 2020, seria difícil que os Mundiais não contassem com os atletas Leonor Medeiros, Sofia Barroso, Pedro Lencart, Daniel da Costa Rodrigues e Pedro Silva. Poderia haver alguma dúvida sobre quem seria a terceira jogadora, com as candidatas a serem Rita Costa Marques, Sara Gouveia e Ana da Costa Rodrigues. No caso masculino, outros candidatos com peso eram Afonso Girão, Vasco Alves e Pedro Clare Neves.

O seleccionador nacional, Nelson Ribeiro, cauteloso, disse-nos que “tínhamos jogadores sinalizados, mas não obrigatoriamente apenas os que referenciaste. O conceito de competir em/e para equipa abre muito o leque de opções”.

A inexistência de Mundial em 2020 e em 2021 permite à equipa técnica nacional preparar a edição de 2022 com mais tempo, mesmo sabendo que as equipas poderão ser diferentes, sobretudo Pedro Lencart, que tinha previsto tornar-se profissional em 2020, poderá mudar essa transição para 2021, mas dificilmente irá atrasá-la para 2002.

Temos verificado uma evolução significativa ao nível dos procedimentos dos jogadores que representam a seleção nacional, mas a regularidade dos resultados relevantes ainda está assente em desempenhos individuais. Tratando-se do Campeonato do Mundo, um torneio por equipas, o adiamento possibilitará continuar a corrigir a dependência de prestações individuais e apresentarmos uma equipa na sua melhor versão, onde cada jogador tenha um papel dentro de um propósito de grupo“, sublinhou Nelson Ribeiro.

Dos cinco jogadores que nomeáveis como prováveis convocados para o Mundial agora cancelado, só Sofia Barroso e Pedro Lencart já tinham estado num Mundial, há dois anos, na Irlanda, onde Portugal foi 35.º na prova masculina e 40.º na feminina. Os outros jogadores foram então Leonor Bessa, Sara Gouveia, Afonso Girão e Vítor Lopes. Bessa e Lopes já se tornaram, entretanto, profissionais.

Quando se disputar o próximo Mundial amador, em 2002, Pedro Lencart já será provavelmente profissional, Leonor Medeiros, Daniel da Costa Rodrigues e Pedro Silva deverão estar a estudar e a competir em universidades nos Estados Unidos e Sofia Barroso terá decidido se prossegue uma carreira no golfe ou opta mais pelos estudos.

 

Fonte: Hugo Ribeiro / Tee times Golf (teetimes.pt) em exclusivo para Record

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