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Leonor Bessa termina melhor época internacional de sempre

Foi 30.ª em Madrid, mas é a 7.ª no ranking do circuito profissional espanhol

Leonor Bessa encerrou nesta quarta-feira a sua melhor época internacional de sempre. Quando falta apenas disputar o Campeonato Nacional de Espanha, vedado a estrangeiras, para concluir o circuito profissional espanhol, a portuguesa de 22 anos ocupa o 7.º lugar do ranking do Santander Golf Tour.

Uma semana depois de ter alcançado em Málaga o seu primeiro top-10 de carreira no Ladies European Tour Access Series, a segunda divisão europeia, Leonor Bessa terminou o seu último torneio internacional da temporada de 2020 com um 30.º lugar no torneio de Madrid do Santander Golf Tour, entre 50 jogadoras de bom nível.

No Golf Santander, nos arredores da capital espanhola, Leonor Bessa somou 153 pancadas, 9 acima do Par, após voltas de 77 e 76, ficando empatada com as espanholas Natasha Fear e Laura Gómez. Uma classificação que não deu-lhe direito nem a prémio monetário nem a pontos para o ranking do circuito espanhol.

«O meu jogo esteve bem. Parece estranho, dado que fiz um agregado de +9, mas foram os duplos-bogey que ditaram o resultado. Cometi alguns erros pelos quais fui muito penalizada e tive algum azar, mas acontece. No entanto, sinto que o meu jogo, em algumas partes, esteve muito forte e até fui capaz de reagir bem aos maus períodos e isso é muito importante na vida como profissional», disse a jogadora da Nike à Tee Times Golf em exclusivo para Record.

Com efeito, Leonor Bessa até carimbou 4 birdies na segunda volta (terminou com 1 birdie no último buraco do torneio) e tinha averbado 3 birdies na primeira ronda, mas sofreu 3 duplos-bogey seguidos nos três últimos buracos da primeira volta e cedeu mais 2 duplos no segundo dia.

O Golf de Santander não é um campo fácil. O desenho de Rees Jones e do saudoso Seve Ballesteros (genro do também já falecido Emílio Botín, ex-presidente do Grupo Santander) é dos mais exclusivos de Espanha. Nem todos podem lá jogar, é preciso reservar e a chamada Cuidad de Santander tem uma segurança digna de um Estado dentro do Estado espanhol.

Por fugir à habitual saturação dos clubes de golfe de Madrid, o campo apresenta-se sempre quase imaculado e Leonor Bessa, que visitou-o pela primeira vez, não poderia ter ficado mais impressionada: «Está em condições excecionais e o desenho do campo é espetacular. É bastante comprido e, basicamente, difícil do tee ao green, principalmente o shot ao green, bem como a velocidade e a ondulação dos greens. Os fairways tinham alguns bunkers difíceis e, por isso, não podia dar mais nas saídas. Os greens são pequenos e muito protegidos por bunkers de forma estratégica. Adorei mesmo o campo porque adoro bons desafios».

Não admira que só sete das 50 participantes tenham terminado a prova abaixo do Par, apesar de estarem presentes jogadoras como a finlandesa Tiia Koivisto, que na semana passada encerrou o Ladies European Tour Access Series na primeira posição do ranking de 2020, ascendendo ao Ladies European Tour (a primeira divisão europeia) em 2021; e as espanholas Mireia Pratt (antiga n.º1 do LETAS) e Maria Parra (ex-jogadora do LPGA Tour, a primeira divisão norte-americana).

O que espantou não foram, por isso, os resultados, mas o sucesso de duas amadoras espanholas que dominaram o torneio e tornaram-no num duelo entre ambas.

Carolina López-Chacarra liderou aos 18 buracos e sagrou-se vice-campeã com 136 (67+69), 9 abaixo do Par. Só foi batida por 1 pancada por Ana Peláez (69+66), que necessitou de 1 birdie no 18 para conquistar o seu primeiro título em torneios profissionais e a sua segunda vitória da época, depois da Copa Andalucía.

A amadora de Málaga está a atravessar a sua melhor fase de sempre. Em 2020 concluiu a sua passagem de quatro anos pela equipa dos Gamecocks USC (Universidade da Carolina do Sul), onde ganhou um torneio e foi vice-campeã noutro; mas a nível individual sagrou-se ainda vice-campeã do Campeonato Internacional Amador da Andaluzia, vice-campeã nacional amadora de Espanha e foi 13.ª no Europeu Individual Amador, razão pela qual é a 77.ª no ranking mundial amador e 13.ª no ranking europeu amador.

«A lista de inscritos era muito boa como habitualmente e acho que o facto de algumas amadoras terem sobressaído pode ter sido um acaso, porque as jogadoras profissionais mencionadas não deixam de ser grandes jogadoras, mas nós jogamos a dinheiro, as amadoras não, e isso pode ter transparecido, dada a dificuldade e o risco de alguns shots neste campo. Agora, conheço as amadoras há algum tempo e são todas de muito bom nível», afiançou Leonor Bessa, ela própria uma amadora de elite antes de passar a profissional em 2018.

Nos últimos dois torneios, Leonor Bessa esteve acompanhada do seu namorado como caddie, e logo Tomás Melo Gouveia, uma das estrelas portuguesas do Pro Golf Tour, uma das terceiras divisões do golfe profissional europeu. O facto não passou despercebido à organização, que publicou no seu site oficial uma fotografia do casal.

Para a campeã nacional de profissionais e campeã nacional absoluta é lamentável que o contexto de pandemia tenha-a forçado a encerrar mais cedo da temporada, não havendo este ano Escola de Qualificação do Ladies European Tour.

Teria sido uma boa oportunidade de lograr um eventual apuramento para a primeira divisão europeia, dada o crescendo de forma em que se encontra.

«Este foi o meu último torneio internacional do ano. Fico triste porque estou muito motivada para competir e o meu jogo está a melhorar bastante. Sinto que estou a trabalhar da melhor maneira para evoluir. Tenho jogado muito mais em treino e isso tem-me ajudado muito na competição», declarou a irmã mais nova de Tomás Bessa, também ele campeão nacional de profissionais.

Aliás, Tomás Bessa iniciou nesta quarta-feira a sua participação no Italy Alps Open, o último torneio de 2020 do Alps Golf Tour, outra das terceiras divisões europeias. Tomás está no 20.º lugar com 1 abaixo do Par, entre 84 jogadores, numa prova em que o português Vítor Lopes é o 4.º classificado com 3 abaixo do Par.

«Considero, sem dúvida, que em termos de progressão, este foi o meu melhor ano de sempre. Sinto que progredi em todas as áreas do jogo e que isso repercutiu-se em alguns torneios, especialmente nestes últimos. Sinto-me bem e com vontade de fazer mais e melhor», frisou Leonor Bessa.

Uma predisposição bem diferente de há um ano nesta altura da época de 2019, quando transpareceu algum desencanto ou desmotivação. A mudança de residência de Paredes para o Algarve, seguindo as pisadas do seu irmão, também ajudou: «No Algarve tenho melhores condições (de treino, de clima, de parceiros de treino) e um melhor grupo para treinar, o que também motiva muito».

O torneio de Madrid do Santander Golf Tour contou com outra portuguesa, Susana Ribeiro, que integrou o grupo das 36.ª classificadas, juntamente com outras quatro jogadoras, totalizando 158 pancadas, 14 acima do Par, após duas voltas de 79, mas da sua prestação e da sua temporada de 2020 falaremos noutra altura.

Leonor Bessa e Susana Ribeiro deverão jogar ainda mais um torneio em 2020, mas de cariz interno, integrado no circuito profissional português: o PGA Portugal Open, a 30 de novembro e 1 de dezembro, no Amendoeira Golf Resort, em Sines.

Fonte: Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record

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